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Teatro

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Antônio Abujamra na peça Começar a Terminar

 

COMEÇAR A TERMINAR

 

 

Antônio Abujamra em espetáculo inédito inspirado na obra de Beckett

 

 

No palco escuro estão duas enormes lâmpadas e um homem solitário. Ele compartilha com o público suas inquietações. As palavras de diversos personagens do dramaturgo Samuel Beckett estão presentes em cena onde textos de diferentes origens e épocas são unânimes: falam da morte e da iminência do fim.

 

 

Aos 76 anos, dos quais 58 dedicados ao teatro, Antônio Abujamra interpreta Começar a Terminar, texto de sua autoria inspirado nas obras de Beckett reunindo o que o próprio autor irlandês considerou o essencial de sua criação. No palco, os atores Miguel Hernandez e Nathália Corrêa estão ao lado de Abujamra, que assina com Hugo Rodas a direção da montagem.

 

 

Começar a Terminar estréia em 10 de outubro, sexta, 21h, no Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650, Vila Mariana, tels.: 5573-3744 e 5549-1744), onde permanece até 23 de novembro.

 

 

Na equipe de criação, Abujamra e Miguel Hernandez traduziram os textos, J.C.Serroni é o cenógrafo, Wagner Freire assina a iluminação, Hugo Rodas fez os figurinos e André Abujamra é o responsável pela direção musical. A montagem inédita no Brasil é da companhia Anjos Pornográficos, fundada em Portugal pelos atores brasileiros Miguel Hernandez e Nathália Corrêa. A direção geral é de Antonio Abujamra.

 

 

Fonte de inspiração

 

 

Profundo conhecedor de Beckett e do chamado Teatro do Absurdo, Abujamra selecionou e traduziu com Miguel Hernandez os textos com os quais montou Começar a Terminar.

 

 

Mas o espetáculo baseia-se em um trabalho de alta qualidade, e muito pouco conhecido, sobre Beckett: no fim da década de 1960, o ator irlandês Jack MacGowran encenou uma adaptação de trechos que considerava essenciais na obra de Beckett, seu amigo e conterrâneo. Principalmente, reuniu fragmentos que tratavam da morte, tais como os conhecidos Ato sem Palavras 1, From an Abandonned Work of Art e o monólogo do personagem Lucky em Esperando Godot.

 

 

Após algum tempo, o próprio Beckett se envolveu no projeto, mudou o nome para Beggining to End e incorporou outros fragmentos revisados de textos seus. O formato final foi encenado entre 1970 e 1973, mostrando um homem à beira da morte que conta histórias fascinantes. Assim, aparecem personagens célebres do autor, como Krapp, Lucky, Molloy, Clov, Hamm, Watt, Malone e Vladimir.

 

 

Ótimo ator e talvez o melhor intérprete da obra de Beckett (em 1970 recebeu um Obie de melhor ator por sua atuação na peça Becket), Jack MacGowran foi uma das estrelas do grupo teatral irlandês Abbey Players e seu talento pode ser observado em uma série de filmes de qualidade que circulam até hoje: desde a estréia em Depois do Vendaval (The Quiet Man, de John Ford, em 1952), passando por Tom Jones (de Tony Richardson, 1963), Doutor Jivago (de David Lean, 65), Lord Jim (de Richard Brooks, 65), Armadilha do Destino (Cul-de-Sac, 66) e A Dança dos Vampiros (67), ambos dirigidos por Roman Polanski; Rei Lear (de Peter Brook, protagonizado por Paul Scofield, 1971), até seu último longa, O Exorcista (de William Friedkin, 1973).

 

 

MacGowran morreu precocemente aos 54 anos, em 1973, logo depois de filmar O Exorcista, vítima da epidemia de gripe na Inglaterra. Até então, durante quase três anos, apresentou o monólogo nos Estados Unidos e em várias capitais da Europa, incluindo Dublin. Consta que arrancava do público emoção intensa e gargalhadas. O texto foi publicado em livro do qual foram editadas apenas 300 cópias.

 

 

Miguel Hernandez e Nathália Corrêa, da companhia Anjos Pornográficos, sabem de uma única outra montagem de Beggining to End, realizada em Portugal em 2007 pelo ator João Lagarto.

 

 

Antônio Abujamra - Conceituado ator, autor, diretor e tradutor, Abujamra foi um dos primeiros a introduzir as idéias e o teatro de Bertolt Brecht no Brasil. No exterior, trabalhou, entre 1959 e 1961, com Roger Planchon e Jean Villar, em Paris, e estagiou no conceituado Berliner Ensemble, de Brecht.

 

 

No Brasil, já dirigiu cerca de 120 espetáculos e grandes nomes do teatro, entre eles Cacilda Becker, Glauce Rocha, Laura Cardoso, Cleyde Yáconis, Lilian Lemmertz, Irene Ravache, Jardel Filho, Antonio Fagundes, Denise Stoklos, Vera Holtz, Paulo Goulart e Nicette Bruno.

 

 

Trabalhou com algumas das principais companhias nacionais, como TBC e Oficina, e montou textos de conceituados dramaturgos brasileiros: Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Dias Gomes, Augusto Boal, Bráulio Pedroso, Antônio Bivar, Leilah Assunpção e Millor Fernandes. Além de adaptar Shakespeare, Beckett, Tennessee Williams, Ionesco, Dario Fo, Gogol, Tcheckov e outros autores universais.

 

 

Atuou em mais de 30 montagens no teatro, além de filmes, a exemplo de Carlota Joaquina, Festa e Quem Matou Pixote?. Também dirigiu novelas, musicais e programas educativos para a TV. Hoje, apresenta o programa Provocações, da TV Cultura de São Paulo.

 

 

Aproximou-se da companhia Anjos Pornográficos com o espetáculo O que Leva Bofetadas (2004), que Abujamra traduziu, adaptou e dirigiu, tendo Miguel Hernandez e Nathália Corrêa, fundadores da companhia, no elenco, entre outros. Voltaram a trabalhar juntos em O Escrivão (2006) e Tchecov e a Humanidade (2007).

 

 

Miguel Hernandez - É um dos fundadores da companhia e diretor da maior parte de suas montagens. Hernandez formou-se na Academia Contemporânea do Espetáculo, no Porto, em Portugal, e também estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP) e no Centro de Pesquisa Teatral (CPC), dirigido por Antunes Filho, em São Paulo.

 

 

Trabalhou com os grupos Fura Dels Baús (Espanha), Natural Theatre (Inglaterra) e Kumulus (França), com a encenadora alemã Cornelia Gêiser e com Sandra Mladenovic na escola de teatro Jacques LeCoq (França). No Brasil, participou de mais de 30 montagens, com Márcio Aurélio, Esther Góes e Luiz Damasceno, entre outros.

 

 

É assistente de Abujamra no projeto Geografia da Palavra, para o Centro de Aperfeiçoamento Teatral da Funarte, onde prepara a montagem de Os Possessos, de Dostoievski. Também faz roteiros para o canal de TV Nickelodeon.

 

 

Nathália Corrêa - Também fundadora da companhia, graduou-se em interpretação pela Academia Contemporânea do Espetáculo, no Porto, fez estágio com os grupos Natural Theatre (Inglaterra) e Kumulus (França), com a encenadora Cornélia Gêiser (Alemanha) e com Sandra Mladenovic da escola de teatro Jacques LeCoq (França). No Brasil, estudou com Fátima Toledo, entre outros.

 

 

Companhia Anjos Pornográficos - Fundado em 2000 na cidade do Porto por artistas brasileiros, portugueses e cabo-verdianos, o coletivo pesquisa linguagens e os efeitos da comunicação de massa, além de analisar o cruzamento entre estéticas divergentes, concentrando o trabalho em culturas latinas, particularmente nos países de língua portuguesa. Hoje, mantém núcleos criativos no Porto e em São Paulo.

 

 

Na cidade portuguesa, o grupo já montou Navalha (2000), baseado em Plínio Marcos; Tiestes (2001), de Sêneca; Roma, (2001), com textos de John Cage; Óculos (2002), inspirado em Nelson Rodrigues; Beckett’s (2002), com textos de Beckett; e Os Marinheiros (2003), baseado em Fernando Pessoa.

 

 

Em São Paulo, a companhia apresentou Cristo Proclamado (2005), de Francisco Pereira da Silva, e Os Marinheiros (2007).

 

 

Começar a Terminar – Ficha Técnica: Texto: Antonio Abujamra, baseado em obras de Samuel Beckett / Tradução: Antonio Abujamra e Miguel Hernandez / Elenco: Antonio Abujamra, Miguel Hernandez e Nathália Corrêa / Cenário: J. C. Serroni / Iluminação: Wagner Freire / Música: André Abujamra / Figurino: Hugo Rodas / Direção: Antonio Abujamra e Hugo Rodas / Direção geral: Antônio ABujamra / Produção: Companhia Anjos Pornográficos

 

 

 

 

Começar a Terminar – Serviço:

 

 

Local: Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 - tel: 5573- 3774 e 5549.1744 - Perto da Estação Santa Cruz do Metrô)

 

 

Estréia: 10 de outubro, sexta-feira, 21h

 

Temporada: até 23 de novembro de 2008

 

Horários: sextas e sábados às 21h, domingos às 19h

 

Gênero: drama

 

Lotação: 438 lugares

 

Duração: 50 minutos

 

Preço: R$10,00 (inteira); R$5,00 (estudantes, aposentados e classe artística)

 

ATENÇÃO: nos três primeiros dias – sexta, 11, sábado, 12 e domingo, 13 – a entrada será gratuita

 

 

Pagamento somente em dinheiro

 

Ar condicionado e acesso para portadores de necessidades especiais

 

Recomendada para maiores de 14 anos

 

Patrocínio: Correios

 

Apoios: Prefeitura Municipal de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura, Lei Rouanet

 

 

 

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